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André Rigatti
Centro Universitário Maria Antonia USP


Sempre próximas a suas bordas, as pinturas de André Rigatti possuem pequenas aberturas, por onde se deixa ver o processo que dá origem a trabalhos de textura matérica mais ou menos acentuada, resultados da sobreposição de diversas camadas de tinta, aplicadas cada uma seguindo uma direção diferente do pincel. Nesses trechos periféricos, não raro se pode recalcular a ordem das coberturas do artista, da última camada depositada até o papel ainda em branco. Mas o que chama a atenção ali é o quanto, na revelação de uma e outras camadas da pintura, não se pretende surpresas, acelerações, e sequer excessos, explorações sucessivas de tentativas e erros (cada camada de cor, afinal, não se deixa apreender como nada além do preenchimento mais ou menos homogêneo da mesma superfície). No mais das vezes, a camada de tinta que se insinua por detrás sequer é mais ou menos luminosa ou opaca do que aquela que a recobre. Esses trabalhos tratam, sim, de abordar a pintura de acordo com a temporalidade que sua prática quer demandar, mas o fazem como que expondo esta temporalidade em si mesma, sem o seu sentido ou efeito sobre a totalidade da superfície. Trata-se de pinturas que reiteram um processo contínuo de vedação ou amortecimento (os grandes contrastes entre as cores são evitados, os acontecimentos formais se dão sem muito alarde e apenas naqueles trechos periféricos), um processo que ocorre, porém, sem reivindicar uma impositiva negação de qualquer espécie de aspecto construtivo ou sem impedir que ali se esboce, de repente, a insinuação de algumas poucas imagens. Não há grandes contrastes, acontecimentos, mas as geometrizantes e definidas interrupções entre uma camada e outra às vezes se deixam ver como sucintas figurações algo paisagísticas, a lembrar, ao lado da orientação horizontal de suas superfícies, frações de casas ou edifícios.

 

Carlos Eduardo Riccioppo - 2012

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André Rigatti - Maria Antonia University Center USP

 

Always close to its edges, André Rigatti's paintings have small openings, where you can see the process that gives rise to more or less accentuated texture work, results of the overlapping of several layers of paint, applied each following a direction. different from the brush. In these peripheral sections, the artist's cover order can often be recalculated, from the last layer deposited to the still blank paper. But what is striking here is how, in the revelation of one and other layers of the painting, one does not intend surprises, accelerations, and even excesses, successive explorations of trial and error (each layer of color, after all, is not to be apprehended). nothing but the more or less homogeneous filling of the same surface). More often than not, the layer of paint behind it is not even more or less luminous or opaque than the coating. These works, rather, approach painting according to the temporality that their practice wants to demand, but they do so as exposing this temporality in itself, without its meaning or effect on the whole surface. These are paintings that reiterate a continuous process of sealing or damping (the great contrasts between colors are avoided, formal events occur without much fanfare and only in those peripheral parts), a process that occurs, however, without claiming an imposing denial of any kind of constructive aspect or without suddenly preventing the hint of a few images. There are no great contrasts, events, but the geometrizing and definite interruptions between one layer and the other sometimes appear as succinctly landscaping figures, to be remembered, beside the horizontal orientation of their surfaces, fractions of houses or buildings.

 

Carlos Eduardo Riccioppo - 2012.

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